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Dos brindes que as viagens trazem

Eu não sei quando nem por que um dia eu encasquetei que queria ir pra Tailândia nalgum momento. Aí, há quase um ano, apareceu uma postagem na internet com um preço que eu poderia pagar e ainda incluiria Turquia no trajeto. Ok. De quebra conheço Turquia – não tenho nada de “meu Deus como preciso ir à Turquia”, mas por esse preço de passagem talvez valha a pena. Vou focar na surpresa que foi conhecer o mar Mediterrâneo.

Desci em Istambul e tive problema com a internet. Achei o chip temporário muito caro, e fiquei sem internet lá. Não morri. No metrô conheci uma moça que me ajudou a encontrar a região do meu hostel. Uma das poucas pessoas que falavam inglês. Isso é um detalhe importante: inglês tem pouco uso por lá (igual no Brasil). As pessoas que melhor falavam inglês eram vendedores de droga (que viam estampado na minha cara que eu era turista) e engraxates. Ser fluente não ajuda. Lá é preciso fragmentar frases em palavras-chave soltas e muita mímica. Todos são muito pacientes e receptivos.

Incomoda sim ver a subjugação feminina. Machismo lá (como em toda parte do planeta) é forte. Confesso que achei incomum o relacionamento masculino nas ruas. Parece que todos os turcos vivem o que chamamos de Bromance aqui no ocidente. Tem muita proximidade, muito toque, muito abraço. Bem parecido com as amizades femininas no Brasil. Lá as mulheres, com ou sem véu ou burca, são mais distantes umas das outras. Voltando ao técnico. Meu hostel era muito barato e com uma localização ambígua. Era num centrão perto de tudo. Absolutamente tudo! Perto do comércio principal, da região boêmia, transporte público, comidas. Tudo que eu precisava! Lembrou-me uma mistura de Savassi (de BH) com Augusta (SP).

Se você for alguém que tem asma ou intolerante a fumaça, JAMAIS VÁ À TURQUIA!!! Aparentemente todo o país tem um cheiro forte de cigarro. Parece que está sempre nublado, mas é fumaça de cigarro. Todos fumam o tempo todo e em qualquer lugar. Dentro de restaurantes, dos quartos de hotel, saguão de teatro, lojas, museu. Tudo tem cheiro forte de cigarro. É cultural. Não podem fumar em mesquita, nem no metrô, nem no aeroporto (mas se você for ao aeroporto e passar perto da área de fumantes, tem fila de espera). Tudo lá é muito bonito e deveras gostoso de comer, de ver, de andar, de fotografar. Tem parques gratuitos lindos de se ver. Mas o que dentre tudo mais mexeu com meu coração foi ter visitado Çanakkale.

Como citei no início, estava muito focado na Tailândia e nem me dignei a pesquisar muito sobre Turquia, já que foi quase um “brinde” na passagem – dava pra ter sido vôo com escala rápida, mas optei por um stop. Um amigo BR mudou-se há poucos anos para Turquia. Eu sabia disso, mas não planejava visita-lo (porque sabia que não estava em Istambul). Ele me ligou e intimou-me a ir pra cidade dele – essa tal de Çanakkale. A passagem não foi muito cara também. Aceitei ir. Cheguei lá, o reencontrei, conheci amigos dele, comemos num restaurante delicioso! No dia seguinte, vamos andar e bater papo: “olha, que legal, um cavalo de Tróia igual do filme… por que tem isso aqui?”. Ele respondeu: “Ué, presente de Hollywood para cidade. Porque aqui é antiga Troia”. OI??? Eu nunca imaginei que a cidade de Troia era real (pra mim era ficção da Odisseia, da Ilíada, tal). MUITO MENOS que eu teria viajado pra ela sem querer!!!!

Meu amigo disse-me que Çanakkale é uma cidade muito turística para os turcos (tipo uma Ouro Preto, muito visitada por brasileiros, enquanto Istambul era como Rio de Janeiro, mais visitada por gringos). Fiquei sabendo que havia ruínas da cidade de Troia. Pra quem ia passar um dia em Çanakkale e depois voltar para Instambul… fiquei 3 dias incríveis lá! Que cidade acolhedora, com boa comida, mais gente falando inglês, lindas paisagens, castelos históricos, pezinho no mar Mediterrâneo e, ah, o parque de Troia é mágico!!! Que energia! Que força! Que beleza! Mochilei com gosto. Voltarei a Istambul e a visitar todos os pontos turísticos e não turísticos. Um brinde a esse “brinde”.


* O conteúdo deste post foi criado pelo(a) autor(a) e, portanto, apresenta sua opinião pessoal. 

 

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